segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Estrada

Ei, você que passa por essa estrada – leve um recado pra um moço de lá.
Quando encontrá-lo saberá no mesmo instante sobre quem lhe falo, é o moço mais brilhante que haverá no caminho. Ele exala jasmim e coragem, ele perfuma toda aquela aldeia de chão de terra e de casas de sapê.
Você que me ouve, lembre-se de mim quando chegar lá, e quando encontrá-lo andando com urgência - com aquele seu ar de ocupado demais - respire bem fundo para chamar sua atenção (ele sempre está atento) e quando ele levantar os olhos tímidos pra depois desviar, dê altura suficiente a tua voz e diga a ele que as estrelas resolveram sorrir em sua direção.









Diga que as flores de plástico do jardim morreram mesmo, e que aquilo que ele viu são flores de verdade, desabrocham, mas não murcham.
Diz a ele que o cenário de madeira-papel-e-cola deu lugar a uma paisagem-colorida-e-linda, e que os desertos agora são campos de girassóis e de margaridinhas brancas.
Diz que o último soluço do choro de ontem foi mesmo o impulso do primeiro riso eterno, e que a Felicidade resolveu saudá-lo de manhã até que se acabem todas as manhãs de sua vida, e que todos os dias sente saudades dele.
Diz pra ele que as lagartas já não usam asinhas aramadas com papel celofane pra contracenar bons momentos, e que aqueles encantos sobrevoando a sua volta são borboletas de verdade, acabaram-se os móbiles.
Diz que a água agora é potável sim, e que todo esforço valeu a pena, e que tudo ficou bem.
Diz pra sonhador que o que ele ta vendo agora é realidade.
Diz pra ele que o Amor, enfim..., chegou.

domingo, 31 de outubro de 2010



Se você pensa em fazer chorar a quem lhe quer,
A quem só pensa em você
Um dia sentirá
Que amar é bom demais
Não jogue amor ao léu...
Meu coração que não é de papel.
O amor é lindo, eu sei
E todo eu lhe dei."

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Todos os dias quando acordo, a primeira coisa que penso é:
-Como ele me faz falta!

ENSAIO SOBRE A MIOPIA

Hoje estive ausente de mim.
Não consegui me concentrar em nenhuma tarefa a que me propus.
Estive alheia o tempo todo, num mundo paralelo. Mas um mundo de nada.
Fuga de não sei o quê, ou talvez saiba, mas não queira lembrar.
Fuga de mim.
Quando me sinto assim parece que a qualquer momento vou me desintegrar, partir em pedaços, desaparecer...
Por um lado o desejo da fuga, dessa desaparição. Por outro o desespero.
É quando vem a necessidade de escrever. Numa tentativa talvez de me estruturar, de me refazer, de existir, de não d'existir.
Penso que escrever é, não uma espécie de loucura, mas fruto dela.
De todas as minhas formas de salvação, a escrita é a mais verdadeira.
Porque é o que realmente me aproxima de mim. Sou eu estendendo os braços para mim mesma.
De outro modo estaria ligando para amigos, marcando sessão extra de análise, abrindo uma garrafa de vinho.
Escrever me ajuda a enxergar-me melhor mas de modo que eu vá me apresentando aos poucos, sem sustos. Talvez com surpresas, mas na medida e tempo equivalentes ao que eu possa suportar e que me sejam necessários enxergar.


Nunca os uso dentro de casa, mas hoje decidi colocar os óculos.
Um recurso prático (já que a pauta aqui é a objetividade), na tentativa de me aproximar um pouco mais da realidade.
Realidade, a partir do meu míope ponto de vista, é aquilo que a maioria das pessoas diz que é, mesmo que cada um nem sempre a veja como diz, mas acredita que os outros a vejam, e portanto a adota como verdade.
Já a miopia, por sua vez, é aquela cegueira (leve, severa ou moderada a depender da necessidade) para o que é externo e está fora, e longe; é a tendência inconsciente à introspecção, a olhar para dentro de si, e a ignorar todo o resto.


Não sei ao certo se a realidade é objetiva ou subjetiva, talvez existam várias realidades, talvez não exista nenhuma.
Descobrir esta resposta não vai fazer diferença... E já nem sei mais se quero respostas. Vou manter meu silêncio. Hoje, além de muda, estou cega e surda.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

IRMÃ

QUERIDA IRMÃ, é muito bom contar com sua amizade, que é sincera, incondicional. Amo e admiro sua espontaniedade, sua honestidade, sua franqueza e dedicação em tudo que faz e com as pessoas em sua volta. Ser sua amiga é um privilégio, ser sua irmã é uma benção!!!

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

"Deus costuma usar a solidão para nos ensinar sobre a convivência. Às vezes, usa a raiva para que possamos compreender o infinito valor da paz. Outras vezes usa o tédio, quando quer nos mostrar a importância da aventura e do abandono. Deus costuma usar o silêncio para nos ensinar sobre a responsabilidade do que dizemos. Às vezes usa o cansaço, para que possamos compreender o valor do despertar. Outras vezes usa a doença, quando quer nos mostrar a importância da saúde. Deus costuma usar o fogo para nos ensinar a andar sobre a água. Às vezes, usa a terra, para que possamos compreender o valor do ar. Outras vezes usa a morte, quando quer nos mostrar a importância da vida."



Fernando Pessoa


sábado, 16 de outubro de 2010

VENHA

Me traga borboletas ao estômago,
pinte meu riso de anil,
afaste as minhas cortinas.
Me ache,
me pegue,
me leve,
me ame.